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Conhecimento sobre IA aumenta percepção de riscos desta tecnologia e apoio à regulamentação na América Latina

Relatório mostra que (55%)  das pessoas em Argentina, Brasil, Colômbia e México apoiam a regulamentação da IA, com proporção subindo para 65% entre quem declara ter bom entendimento da ferramenta 

A maioria (55%) das pessoas na América Latina é a favor da regulamentação da inteligência artificial, com a proporção subindo para 65% entre quem tem bom conhecimento sobre a ferramenta, mostra pesquisa divulgada nesta segunda-feira (10.12) pela Luminate, com dados encomendados ao Instituto Ipsos.

A pesquisa “DemocracIA: Percepções sobre inteligência artificial e democracia em Argentina, Brasil, Colômbia e México” mostra que o efeito do conhecimento sobre a IA também se reflete no aumento da percepção de riscos desta ferramenta. Enquanto 40% da cidadania na América Latina acredita que a IA pode afetar a integridade das eleições, a proporção sobe para 47% entre quem tem bom entendimento sobre a inteligência artificial.

DemocracIA: Percepções sobre inteligência artificial e democracia em Argentina, Brasil, Colômbia e México

Na região mais desigual do mundo, 37% das pessoas entrevistadas concordam que a IA pode aumentar as desigualdades em seus países. A proporção sobe para 44% entre quem declara conhecer bem a ferramenta. Da amostra geral, menos de um terço (28%) acredita que seus países estão preparados para lidar com os desafios e as oportunidades trazidas pela inteligência artificial. 

“Com a IA, temos a oportunidade de aprender com os erros que cometemos com as plataformas de mídia social, onde as consequências da falta de responsabilização estão sendo sentidas em toda a nossa região; desde a disseminação descontrolada de desinformação e discurso de ódio até o aumento da polarização e vigilância", Felipe Estefan, Vice-Presidente da Luminate para a América Latina.

Ele acrescenta: “Qualquer regulamentação da inteligência artificial deve proteger os direitos humanos e garantir que esta tecnologia esteja a serviço do interesse público”.

Desigualdades também marcam relação com a tecnologia

O estudo revela que as desigualdades sociais também afetam a forma como a cidadania na América Latina se relaciona com a IA e percebe seus riscos. Em geral, homens, e pessoas de alta renda e escolaridade são as que expressam maiores níveis de conhecimento – 62%, 69%, 67%, respectivamente – e conforto com a adoção da IA em suas rotinas – 52%, 57%, 55%, respectivamente –, assim como as que mais identificam ameaças às eleições e ao combate às desigualdades.

“Isso revela uma oportunidade para aumentar a conscientização e a mobilização para garantir que a IA seja desenvolvida e implementada de forma a fortalecer a promoção dos direitos humanos e da justiça social”, afirma Estefan. 

A pesquisa também captou um rechaço na América Latina à aplicação da IA no serviço público. De forma geral, a cidadania na região prefere o julgamento e a sensibilidade humana na tomada de decisões com impactos diretos nas vidas das pessoas. 54% da amostra se opõe ao uso da IA para a tomada de decisões em tribunais, 51% são contra a IA redigir novas leis e regulamentações, e 50% considera inaceitável o uso da inteligência artificial para definir quem tem direito a receber benefícios sociais.

Resultados adicionais

  • A Geração Z registra maior conhecimento e otimismo com a inteligência artificial, mas também tem resistência a usos desta tecnologia com potenciais impactos diretos na vida dos indivíduos. Apenas 28% dos Gen Zers acham aceitável usar a IA para determinar sentenças nos tribunais, 32% são a favor de aplicar a tecnologia para redigir novas leis e, 34%, para determinar elegibilidade para benefícios sociais.
  • A maioria das pessoas na América Latina (55%) acha que governos não devem usar a IA para monitorar o que pessoas dizem online.
  • Metade (50%) se opõe a grupos políticos usarem IA para direcionar mensagens personalizadas ao eleitorado, o que já é uma realidade. 
  • 43% dizem que conteúdo político online produzido por IA pode aumentar a polarização 
  • 34% têm conhecimento de que as notícias que as pessoas leem nas redes sociais são produzidas por IA, enquanto 57% rejeitam esta aplicação com pouca supervisão humana. Entre quem desconhece este uso da inteligência artificial, a rejeição sobe para 71%. 
  • 38% têm ciência da aplicação da IA para selecionar as notícias que as pessoas leem nas redes sociais, enquanto 51% rechaçam o papel da IA na curadoria do conteúdo que as pessoas consomem nestas plataformas.

Nota ao editor

Os dados do relatório “DemocracIA: Percepções sobre inteligência artificial e democracia em Argentina, Brasil, Colômbia e México” foram produzidos pelo Instituto Ipsos a pedido da Luminate entre os dias 23/08/2024 e 06/09/2024. Foram entrevistadas 4,003 pessoas (1,001 na Argentina, 1,001 no Brasil, 1,000 na Colômbia, e 1,001 no México), homens e mulheres, acima de 16 anos, via painel online. Para a amostra total, o intervalo de credibilidade é de ± 1,8 ponto. Para as amostras individuais por país, o intervalo é de 3,5 pontos.

Sobre a Luminate

A Luminate é uma fundação global que trabalha para garantir que todas as pessoas - especialmente aquelas que foram historicamente excluídas – tenham acesso à informação, aos direitos e ao poder para influenciar as decisões que moldam a sociedade. A fundação trabalha globalmente com foco regional em África, Ásia e América Latina. Foi fundada pelo casal filantropo Pierre e Pam Omidyar, e trabalha há mais de uma década em questões relacionadas à governança e participação cidadã.

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